quarta-feira, 18 de abril de 2007

INTROSPECCAO


Oh - pára um pouco, põe-te em pé,
retém o olhar neste horizonte
e escuta o murmurejar da tua vida
ai... a eterna despedida em cada onda
a sul, assim batida pela maré...


Oh - vê agora esse barco ancorado
que jaz tímido a teu lado,
ai... assim tão despido e esquecido das cores da juventude
pela salsugem do tempo e dos amores das ondas,
sereias encantadas, ai... deste e de outros mares...


Oh - repara, és tu, ai... que como ele te escondes
no ângulo mais recôndito deste cais,
sofrendo o abandono da aragem mais fina e luzidia,
emerso no lodo e nas neblinas das manhãs
onde a pureza ai... até parece não voltar jamais...


Oh - desvenda os olhos, ai...rompe o nevoeiro que há em ti
e vem abrir os braços aos ventos varonis,
ai... deixa-os velejar ao sol do meio-dia
e verás as cores de outrora a voltar e as velas a enfunar
ai... de tal paz, de tal alegria
que has-de ter saudades de ti,
ai... quando partires na maré de um belo dia...


José Dias Egipto


Beijos


William Van Der Haegen


Ondina

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